Mulheres na aviação

Em 2017 a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) levantou que existem 1465 mulheres brasileiras que são pilotas, ou seja, conduzem aeronaves como aviões e helicópteros. Dados ainda mais detalhados sobre os segmentos foram divulgados.

Das 1465, 63 trabalham em linhas aéreas, 495 em voos comerciais e 907 em voos privados. Apenas para se ter uma ideia o número de homens no mesmo cargo, no mesmo período, foi 46556. Isso equivale, em outras palavras, que para cada mulher trabalhando como pilota, existem 32 homens. Mas, qual o motivo?

Só para exemplificar, vejamos os dados para outra função também ligada a aviação. Comissários de bordo. A saber, aqui o cenário já fica invertido. Ou seja, os dados mostram que existiam, em 2017, 6485 comissárias e 3335 comissários. Novamente, se pergunta, por qual motivo?

Um pouco da história da aviação

Amelia Earhart

Você já ouviu falar em Amelia Earhart? E em Ada Rogato?

Amelia Earhart é uma das pioneiras da aviação dos Estados Unidos. É detentora de inúmeros recordes, escreveu sobre as aventuras e defendeu veemente os direitos das mulheres, por fim. Todavia, é considerada uma das maiores referências por todas as mulheres que desejavam pilotar em uma época ( por volta de 1920) que a presença das mulheres na aviação era praticamente zero.

Entre os vários recordes destacam-se:

  • 1922 – Recorde mundial feminino (14 mil pés)
  • 1928 – Primeira mulher a voar no Atlântico
  • 1932 – Primeira mulher a voar sozinha no Atlântico
  • 1932 – Primeira pessoa a voar sozinha no Atlântico
  • 1935 – Recorde transcontinental de velocidade feminino
  • 1937 – Primeira pessoa a voar sozinha de Los Angeles até Cidade do México.
Mulher Piloto de Caça

Apesar do amor pelo voo, Amelia desapareceu durante um voo no Oceano Pacífico, enquanto tentava voar ao redor do globo. Assim, Amelia desapareceu em 1937 e foi declarada como morta em 1939 e permanece até hoje como um dos maiores exemplos de mulheres na aviação.

Ada Rogato

Ada Leda Rogato, paulista, brasileira. É, primordialmente, a maior pioneira da aviação do Brasil. Ada é da mesma época que Amelia e conseguiu também feitos notáveis, veja alguns deles:

  • 1951 – Era a única aviadora do mundo que realizou um voo sozinha por todas as três Américas.
  • 1952 – Primeira mulher a atingir o aeroporto de La Paz, Bolívia, o mais alto do mundo na época, com um avião de 90 HP.
  • 1956 – Primeira pessoa a cruzar a Amazônia, sozinha e apenas com uma bússola.

Além desses três grandes feitos existiram inúmeros outros. Além disso foi a primeira paraquedista das Américas e a primeira mulher no mundo a saltar de um helicóptero.

Os dias de hoje

No entanto, se existiram tantos exemplos de grandes nomes femininos na história de aviação, por que agora existem tão poucos? Um possível motivo da ausência das mulheres em algumas profissões será destacado na conclusão. Ademais, antes disso, vamos destacar mais uma brasileira, Carla Borges.

Carla Borges é a mais recente referência na aviação feminina brasileira. A saber, foi a primeira mulher a pilotar um caça em 2011 e a primeira mulher a pilotar o avião presidencial em 2016, durante gestão de Michel Temer.  No entanto, para realizar tais feitos, Carla formou em 2003 no Curso de Formação de Pilotos da Academia da Força Aérea. Em 2014, concluiu o curso de aviação de caça.

Porque as mulheres não têm tanta presença na aviação?

Alguns estudos apontam que a presença de mulheres em vários cursos relacionados ao uso de alguma forma de tecnologia sofreu grande inversão entre as décadas de 1970 e 1980. Tal argumento é válido pois até por volta da década de 1950 existiam grandes nomes e exemplos femininos no mundo da aviação.

Portanto, além disso, existiu ainda na década de 1970 o estigma masculino. Todavia, naquela época as meninas eram incentivadas a brincarem exclusivamente com bonecas. Dessa forma, aviões de brinquedo, computadores, rádios, eram “brinquedos de menino” e isso foi afastando o mundo feminino de várias áreas de trabalho.

Porém, no mundo da aviação ainda existe outro motivo para o baixo reconhecimento das novas pilotas, afinal. A saber, o motivo é que a grande novidade da aviação, a aventura e toda a quebra de recordes foi realizada durante o período inicial do século XX. Assim as tecnologias estavam crescendo, pequenas distâncias ainda não haviam sido completamente dominadas, existia um mundo todo a ser explorado.

Sendo assim, do ponto de vista de conquista, não existe mais um grande reconhecimento por cruzar as Américas, pois é um fato comum. Em outras palavras, o espaço aéreo já foi dominado e não existem mais feitos tão desbravadores e memoráveis como os de antes.

Grupos que incentivam o ingresso das mulheres na aviação

A saber, existem inúmeros grupos, atividades e eventos exclusivos para mulheres da aviação. Existem páginas de Facenook, Instagram e blogs para isso. Todavia, os movimentos vão desde organizações nacionais como é o caso da página do Facebook Mulheres na Aviação que tem quase 30000 seguidores. Existem ainda iniciativas internacionais como a página Women in Aviation International que é referência por seus trabalhos desenvolvidos.

Exemplos dos trabalhos da WAI vão desde a organização de ebooks, guias de carreira, fomentos educacionais, eventos, notícias, certificações, aconselhamentos, indicações, entre outras variedades de atividades para incentivar e estimular as mulheres no mundo da aviação, por fim.

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