Aeroporto de Belém – Val de Cans: escala dos B-17 americanos

No artigo dessa semana sobre os aeroportos brasileiros, abordaremos um breve contexto histórico e operacional do Aeroporto Internacional de Belém – Júlio Cezar Ribeiro, também conhecido como Val de Cans.

Sendo um importante e movimentado aeroporto da Região Norte brasileira, o Val de Cans é hoje o principal aeroporto do estado do Pará, servindo como via de acesso para diversas cidades da região metropolitana de Belém e também a diversas outras localidades daquele estado.

História pré-Guerra

O ano era 1934, quando o general Eurico Gaspar Dutra, diretor da Aviação Militar da época, designou o tenente Armando Serra de Menezes para escolher no espaço da fazenda Val-de- Cans, um local apropriado para construção do aeroporto para a cidade de Belém.

O terreno foi desapropriado e as obras do aeroporto ficaram a cargo da Diretoria de Aeronáutica Civil, órgão do Ministério de Viação e Secretaria de Obras Públicas. Na fazenda foi construída uma pista de terra, com 1.200 metros de comprimento, um pátio de estacionamento de aeronaves e um hangar de concreto destinado à aviação militar que ficou conhecido como Hangar Amarelo, devido a sua cor de pintura.

Fase de construçõo das pistas de asfalto, pelo governo dos Estados Unidos.

Belém recebe as máquinas de guerra

Com a chegada da Segunda Guerra, o Aeroporto ganhou importância, com a base aérea implantada pelos americanos, para servir como escala dos aviões entre as fábricas na América do Norte e a frente de Guerra na África, sendo nesta época que, em negociações com os americanos, Val de Cans ganhou duas pistas, de 1.500m de comprimento por 45m de largura, com base de concreto e asfalto para atender aviação militar, e também a civil, feita até então por hidroaviões.

Val de Cans, 1940.
Aviões prontos para o reabastecimento antes de seguir viagem para a África. – Base Aérea Americana em Belém, 1943.
Aeronave C-47 estacionado no hangar junto Comando da Base. No caminhão, operários locais – Base Aérea Americana de Belém, 943
Construção da Base Aérea Americana em Belém, 1943
Torre de Controle daBase Aérea Americana em Belém, 1943

No ano de 1944 foi criada a Base Aérea de Belém, localizada ao lado do aeroporto. Nessa mesma época, as empresas aéreas Panair do Brasil, Pan American, Cruzeiro do Sul e NAB (Navegação Aérea Brasileira) iniciaram suas atividades no aeroporto, construindo estações de passageiros independentes e isoladas umas das outras.

Da pista de Val-de-Cans que as fortalezas voadoras B-17, B-19, B-24 e B-25 levantaram voo e fizeram escala em Natal (RN), antes de bombardear a cidade senegalesa de Dakar, prenunciando o histórico Dia D, na Normandia, dando início ao fim da Segunda Guerra Mundial. Quando a Guerra acabou, a estrutura foi entregue pelos americanos ao Ministério da Aeronáutica, em 1945.

O aeroporto no pós Guerra

O Ministério da Aeronáutica construiu a primeira estação de passageiros para uso geral das companhias de aviação em 1958, e em janeiro de 1959, foi inaugurado o Aeroporto Internacional de Belém, administrado pelo então Departamento de Aviação Civil (DAC).

Saguão do aeroporto em 1964.
Aeroporto de Belém, 1966

Dois anos após a criação da Infraero, em janeiro de 1974, o Aeroporto de Belém passou a integrar a rede da Infraero e no final da década de 80, a estatal iniciou estudos para ampliação e modernização do que viria a ser o novo complexo aeroportuário, construído em parceria com o governo do Pará, com o projeto prevendo uma completa reformulação e modernização do terminal, a ser realizada em duas fases.

Val de Cans na década de 1970.
Fachada do aeroporto no final da década de 1980.

As obras da primeira etapa, entregues somente em 1999, consistiram numa edificação completamente nova e refrigerada e a instalação de quatro fingers, proporcionando maior conforto e agilidade aos passageiros.

O antigo terminal de passageiros foi demolido para dar lugar a uma extensão do novo prédio, abrigando uma nova sala de desembarque, mais lojas, ampliação da sala de embarque, com acréscimo de mais fingers, proporcionando maior conforto e agilidade aos passageiros.

O século XXI

Início dos anos 2000. Nota-se a presença de aeronave da extinta Varig e de Fokkers-100 da TAM.

Como principal obra, concluída em janeiro de 2011, o aeroporto teve o reforço do pavimento da pista principal de pouso e decolagem, taxiways, do pátio de aeronaves nº 3 e da via de acesso aos hangares das companhias aéreas. A revitalização conferiu mais resistência ao pavimento da pista principal, proporcionando mais segurança.

No mês de março de 2017 foi iniciado os serviços para implantação de grooving (ranhuras que auxiliam no escoamento de água) na pista principal de pousos e decolagens, aumentando a segurança nas operações com chuvas.

Um aeroporto com a cara da Amazônia

Toda sua estrutura física contribui para aproveitar a iluminação natural da calorosa cidade de Belém do Pará, possuindo um espelho d’água dentro do Terminal de Passageiros, sendo ornamentado com plantas típicas da região amazônica, que se encontram cercadas por uma fonte capaz de imitar o barulho das chuvas que caem todos os dias na região.

A pista principal do Aeroporto de Belém conta com 2.800 metros de comprimento por 45 metros de largura, além de contar também com uma pista auxiliar, de 1.830 metros de comprimento por 45 metros de largura.

Imagem de satélite do Aeroporto Internacional de Belém. Nota-se a disposição das pistas, cruzadas.

Dados Técnicos e Operacionais

Ficha Técnica

Área Bruta Locável (ABL): 3.842 m², que representam 15,20% da área do Terminal de Passageiros, distribuídos em térreo e 1° pavimento.
A ABL é segmentada em:
• Varejo: 1.320,59 m²
• Serviços: 912,51 m²
• Alimentação: 1.498,04 m²
• Ação Eventual: 111,00 m²
Total de pontos comerciais: 121

Movimento: 3.280.275 pax/ano

9.112 pessoas diariamente

40.421 aeronaves até dezembro

Companhias Aéreas: Azul, Gol, Map, Sete, Latam, Surinam Airways, Tap

Siglas IATA /ICAO: BEL /SBBE

Sítio Aeroportuário: 6.319 Milhões de metros²

Pátio de Aeronaves: 107 mil metros²

Pontes de Embarque: 6

Estacionamento de aeronaves – Pátio 3: 5 posições remotas

Estacionamento de aeronaves – Pátio 4: 2 posições remotas

Estacionamento de aeronaves – Pátio 5: 8 posições remotas

Dimensões da pista – Principal: 2.800m x 45m – Cabeceiras 06/24

Dimensões da pista – Secundária: 1830m x 45m – Cabeceiras 02/20

Terminal de Passageiros: 33.255 metros²

Passageiros Capacidade/ano: 7,7 Milhões

Estacionamento de veículos: 692 vagas

Dados Operacionais

COM: TORRE 118.70 121.500
SOLO 121.90
ATIS 127.60
RDONAVILS/DME 06 IBE 109.3 VOR/DME BEL 117.3

Elevação: 17ft (56m)

Avião cargueiro Boeing 747-400 da Atlas Cargo

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