Sorria, você está na Bahia!

Em mais um artigo da série “Aeroportos Brasileiros”, falaremos sobre o Aeroporto Internacional de Salvador – Luís Eduardo Magalhães.

Situando-se no bairro de São Cristóvão, faz limite com o município de Lauro de Freitas.

Localizado a 28 quilômetros do centro de Salvador, é o principal aeroporto da região.

HISTÓRIA

Primeiramente, deve-se salientar que a Baía de Todos os Santos certamente foi o primeiro “campo de pouso” de Salvador, especificamente no “hidroporto” da Ribeira de Itapagipe, tanto que em 1923, o Desfile de Dois de Julho foi fotografado por hidroaviões do Comando de Defesa Aérea do Litoral.

O “Hidroporto” da Ribeira de Itapagipe

Era o dia 10 de dezembro de 1935, quando amerissou no Itapagipe o enorme hidroavião Trinidad Clipper, com oito tripulantes e comandado por Charles Lorber. Entre os passageiros estavam o ex-governador Antônio Muniz Sodré de Aragão, e entre os que embarcariam para o Rio de Janeiro, os políticos Lauro de Freitas, João Pacheco de Oliveira e o jornalista Altamirando Requião.

“O amerrissar na Ribeira de Itapagipe se constituía um verdadeiro espetáculo para centenas de baianos que até lá se dirigiam, para ver os hidroaviões descer e flutuar.

O píer de atracação, inicialmente de madeira, tinha sido construído em 1922, como auxiliar para uma escala dos pilotos portugueses Sacadura Cabral e Gago Coutinho, que realizaram em um hidroavião, partindo de Lisboa, a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, no âmbito das comemorações do Primeiro Centenário da Independência do Brasil“.

Um importante ponto de apoio

“Teria também servido de apoio ao piloto espanhol Antenor Navarro no seu histórico voo pelo centro de Salvador, em 1923, observado por autoridades e convidados que se reuniram no Hotel Meridional.

Foi no hidroporto da Ribeira de Itapagipe que o presidente Getúlio Vargas desembarcou, em 1939, para as comemorações da descoberta de petróleo em Lobato. Durante a II Guerra Mundial, o hidroporto serviu de base de apoio aos hidroaviões americanos que faziam o patrulhamento da costa brasileira.

A transição

Depois de operar com regularidade durante toda a década de 1940, utilizado pela empresa de aviação Nyrba do Brasil, denominada, a seguir, Panair do Brasil, foi, aos poucos, sendo relegado a um segundo plano, em função de as companhias aéreas passarem a optar pelos aviões de pouso em terra, de maior porte e mais seguros.” (Trecho do livro “A Cidade da Bahia”, Editora P55. Realização ALBA, TCE, TCM. Salvador, 2017)

O Hidroporto da Ribeira começou a funcionar no ano de 1932, e a estrutura em si só começou a ser implantada em 1937 e inaugurada no dia 18 de maio de 1939 por iniciativa dos americanos sediados em Salvador, ao tempo da guerra, e tinha uma importante missão: os aviões que o usavam faziam o patrulhamento da costa contra submarinos inimigos.

A “pista de pouso” de Santo Amaro de Ipitanga

As primeiras informações que se tem, são do ano de 1925, quando a cidade de Lauro de Freitas ainda era o distrito de Santo Amaro de Ipitanga, fazendo parte do município de Salvador.

A primeira pista foi construída pelo engenheiro francês Paul Vachet a pedido da empresa francesa Compagnie Génerale d’Entreprise Aéronautique Latécoère, próxima ao local onde hoje é situado o aeroporto, sendo que a Latécoère operava em voos entre Buenos Aires, na Argentina, e Toulouse, na França.

Este era um tipo de voo que dependia de diversos pousos para reabastecimento, e o aeródromo era utilizado como escala.

Algum tempo depois a pista foi utilizada também pela Companhia Aeropostal Brasileira.

Panfleto promocional da Aeropostal, da décade de 1930

A Latécoère começou a realizar voos experimentais, no Brasil, em janeiro de 1925.

O avião Breguet 14 F-ALXE das Lignes Latécoère.

A mão francesa na aviação baiana

A Latécoère fundou a subsidiária Companhia Brasileira de Emprehendimentos Aeronáuticos, que recebeu uma concessão, por decreto em outubro de 1925, para operar uma linha aérea entre Recife e Pelotas, passando por Salvador, Caravelas, dentre outras cidades.

Em março de 1927, a Compagnie Générale d’Entreprise Aéronautiques recebeu autorização do Ministério da Aviação e Obras Públicas para realizar tráfego aéreo em território brasileiro, tornando-se a Compagnie Générale Aéropostale e, em 1932, fundiu-se com outras empresas para formar a Air France, época esta em que os franceses construíram onze aeródromos no Brasil.

Curiosidade

Entre 1930 e 1937, o serviço de correio de Graf Zeppelin operou na Bahia, através do Serviço Aéreo Transatlântico Zeppelin – Condor, onde as malas postais eram baixadas no campo de pouso, sem atracamento da aeronave.

A partir de abril de 1936, o dirigível Hindeburg também operou na cidade até pouco antes de seu fatídico desastre, em maio de 1937.

O Zeppelin sobrevoa a Baía de Todos os Santos.
O Hindenburg também fez História em Salvador.

Em meados de 1939, com o início da II Guerra Mundial, os franceses deixaram as instalações do Aeródromo; em 1941, o aeroporto foi reconstruído pela Panair do Brasil com duas pistas para apoiar os aliados durante a guerra.

Após a Guerra, as pistas passaram ao controle do Ministério da Aeronáutica, sendo que atualmente é parte da Base Aérea de Salvador.

Aeronave em exposição na Base Aérea de Salvador.

No ano de 1949, o Aeródromo de Santo Amaro do Ipitanga foi reestruturado devido à crescente movimentação de passageiros e cargas, passando a se chamar Aeroporto Dois de Julho, em 1955, em homenagem à independência da província da Bahia.

Foi nessa época também que recebeu o código SSA, utilizado até hoje.

A alameda de bambus, localizada no acesso ao Aeroporto, existe desde o final dos anos ‘1940, e foi plantado a mando do primeiro comandante brasileiro da Base Aérea, após ser devolvida pelos norte-americanos.

Nos anos seguintes outras ampliações foram executadas, como em 1984, quando o antigo terminal de passageiros foi demolido, dando lugar a um maior e mais moderno.

Fachada do Aeroporto de Salvador, após a reforma, nos anos 1980.

O rebatismo

Passou a se chamar Aeroporto Internacional de Salvador – Deputado Luís Eduardo Magalhães, em 1998 em homenagem ao falecido filho do ex-senador baiano, Antônio Carlos Magalhães.

Muitos ainda chamam o aeroporto de Dois de Julho, sendo contrários ao novo batismo.

Luís Eduardo Magalhães e seu pai, Antônio Carlos Magalhães.

Ainda em 1998, o terminal passou por uma reforma de ampliação, modernização das suas instalações e acesso, com melhoria do sistema viário, com 4,5km e dividido em três faixas, descongestionando o acesso ao terminal de passageiros, a Estrada do Coco, Linha Verde e adjacências, sendo inaugurada em 1999.

O aeroporto no Século 21

No início dos anos 2000 foi finalizada a segunda etapa da ampliação, trazendo melhorias tanto na parte técnica, (pátios e fingers), quanto na área interna, com a implantação de lojas e lanchonetes.

Foi ampliado novamente em 2012 , visando a Copa do Mundo de Futebol de 2014.

A ampliação da área de embarque, nova área de check-in, novas escadas rolantes, elevadores, esteiras de restituição de bagagens e a adição de 19 novos banheiros

Em março de 2017, o Aeroporto foi concedido ao grupo francês Vinci Airports, sendo hoje um dos mais modernos da América do Sul.

Fachada do aeroporto em 2019.

Dados Técnicos e Operacionais

Complexo Aeroportuário de Salvador

Sítio Aeroportuário: Área de 6.847.192 m²

Pátio das Aeronaves: Área de 211.000 m²

Dimensões da Pista: 3.005m x 45m e 1.520m x 45m

Terminal de Passageiros: Área de 69.750 m²

Elevação: 62ft (19m)

Siglas IATA/ICAO: SSA/SBSV

Atendimentos em Fevereiro de 2020

Tipo Aeronaves (unid.) Passageiros (unid.)
Doméstico6.788688.285
Internacional26244.161
Total7.050732.446

Dados Operacionais

COM – TORRE 118.300 118.600 118.950 121.100 121.500
SOLO 121.900
OPERAÇÕES SALVADOR 122.500
TRÁFEGO SALVADOR 121.100 122.500
ATIS 127.750
RDONAV
ILS/DME ILR 110.3
VOR/DME SVD 116.5
Final da pista 10 de Salvador

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