A Segurança Aeroportuária é realmente eficaz?

Se você, que está lendo esse texto já viajou de avião, certamente já passou por detectores de metais nos aeroportos e, provavelmente, já foi parado por algum motivo. Seja um cinto, uma fivela, moedas esquecidas no bolso, ou qualquer objeto metálico que estivesse portando. Caso ainda não foi “parado“, com certeza já viu alguém que foi.

Muitos perguntam o porquê desse excesso de cuidado, visto que os aeroportos brasileiros não têm um histórico de ataques terroristas, ou de violência a bordo. Porém, após os ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, a Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO) decidiu o que todos os países membros dessa organização deveriam cumprir modelos de segurança aeroportuária mais rígidas. O Brasil, através da Agência Nacional De Aviação Civil (ANAC), aumentou ainda mais o rigor nos embarques e monitoramento de bagagens a partir de 2016, incrementando a qualidade no grau de segurança nos aeroportos brasileiros.

Um maior monitoramento no embarque e desembarque, a lista de objetos proibidos a bordo sendo aumentada, a visita ao cockpit proibida e a adoção de procedimentos de segurança pelas companhias aéreas são alguns dos novos procedimentos operados. Muitos usuários acham essas medidas um tanto exageradas, pois, segundo eles, “atrasam o embarque”, ou “não são necessárias em um país como Brasil“, visto que nosso país não possui histórico, como citado anteriormente neste texto. No entanto, este aumento no critério de segurança aeroportuária que ocorrera em 2001 completou em 2019, 18 anos. A pergunta que se faz é: apesar de muitos usuários acharem as medidas exageradas, tais medidas ainda são atuais?

Cinto-canivete feito de polímero

Por exemplo, facas, objetos cortantes e pontiagudos são proibidos a bordo. Quando uma bagagem passa pelo detector de metais ou pelo raio X, uma faca em si, já desenhada na mente dos operadores desses equipamentos, possui um padrão específico, inconscientemente. Quando se pede para um número X de pessoas desenharem uma faca, a primeira coisa que vem à mente é um padrão que a maioria desenha de maneira praticamente idêntica, com o mesmo padrão de lâmina, mesmo padrão de cabo, com poucas dissiparidades.

Cartão de crédito/canivete

E se alguém entrar com uma faca disfarçada? Por exemplo, uma régua disfarçada de lâmina com um corte bem afiado, ou no cartão de crédito com um fio cortante? Há também canetas revólver, armas de choque disfarçados de aparelhos celular e até mesmo armas de fogo que se parecem com celulares. Afinal, a tecnologia de materiais e componentes evoluiu bastante nos últimos 18 anos. O que passa despercebido em uma bagagem ao embarcar, como simples objetos que a maioria dos passageiros possuem, como cartões de crédito, cintos, ou acessórios podem se tornar itens extremamente perigosos a bordo.

Um canivete disfarçado de cartão de crédito (conforme imagem acima), feito de polímero, o qual não é detectado pelos detectores pode ser comprado facilmente em lojas de segurança pessoal ou na internet, assim como sprays de pimenta, gás lacrimogêneo, e outros componentes que antigamente eram adquiridos somente por forças policiais e agências de segurança. Mas o que deve ser feito em relação a isso?

Uma atualização no treinamento dos agentes aeroportuários e equipamentos de segurança seria o passo inicial. Cursos de reciclagem e a introdução de equipamentos modernos, não somente os de raios X, mas de ressonância magnética, os quais podem observar bagagens em 3D, e outros aparelhos que podem ser usados no incremento da segurança de embarque e desembarque.

Chave – canivete

Não obstante, o treinamento da tripulação de bordo merece uma atenção especial. Um upgrade no nível de treinamento de contenção, quanto uma maior periodização deste treinamento corroboram  para uma maior segurança a bordo das  aeronaves, pois o treinamento leva ao êxito.

A introdução de novas técnicas de percepção do ambiente, de imobilização de passageiros indisciplinados, junto com a introdução de técnicas de imobilização policial aumentam consideravelmente a segurança em voo. Por exemplo, se um passageiro com um porte físico avantajado tem um surto em voo, são necessários diversos comissários para que se possa tentar imobilizá-lo. Se essas técnicas (até mesmo um pouco mais violentas dependendo do caso, porém eficazes) são utilizadas, um número menor de comissários pode ser usado para conter tal situação, deixando outros livres para o controle da situação à bordo.

A essência da segurança a bordo é o TREINAMENTO. No entanto, esse deve ser feito com qualidade, atualização e periodicidade. De nada adianta as tripulações fazerem treinamentos “feijão com arroz”, se os riscos e novos meios de interferência de aeronaves surgem diariamente. Assim como malfeitores buscam se atualizarem e almejarem novos meios de praticarem o mal, todo o pessoal da aviação também deve buscar novos meios de se atualizar, treinar e de principalmente, obter informações relevantes que colaborem com a segurança aeroportuária e de voo. Uma parceria continua com os órgãos de segurança geram um trabalho de inteligência com um poder maior de alcance. E assim, a segurança aeroportuária e de voo estarão um passo à frente de toda e qualquer ameaça.