A Navegação Aérea nos primórdios da Aviação

Desde o princípio, o homem tem a necessidade de se locomover de um local para outro, seja para buscar novas fontes de alimentos, seja para novos locais para morar, fontes de água, ou seja, itens para sua subsistência. Para isto, já usavam referências visuais para saberem onde estavam e para onde iriam. Rios, árvores, montanhas, vales, tudo isso servia de referência, diminuindo assim o risco de se perder na exploração de novos ambientes. Surgia então a Navegação. Tal palavra provém do latim, junção das palavras navis (embarcação) e agere (locomover, mover).

Começaram então a evoluir, utilizando a abóboda celeste (o Sol, principalmente),como referência,que podia ser útil na determinação da posição geográfica e até mesmo na estimativa de uma próxima posição. Tal navegação é chamada de Navegação Celestial.

O Homem então passou a evoluir cada dia mais, utilizando de sua inteligência para estudar a atmosfera, a introdução de cálculos matemáticos, mapas, topografia, e outros meios que serviam de parâmetros para localizar-se e definir novas rotas. Passou a inventar instrumentos que auxiliariam na navegação, como a bússola,o astrolábio, o quadrante, o sextante, assim como diferentes técnicas e de novos meios de navegar.

Pode-se citar a evolução da náutica e de sua contribuição imensurável na evolução da navegação. Os primeiros navegadores e exploradores utilizavam novos métodos tanto para viajarem para as colônias quanto para descobrirem novas terras, permitindo assim, cobrirem maiores distâncias sem o risco de se perderem. Com novas técnicas e com o a utilização de novos equipamentos, o esforço mental para navegar diminuiu drasticamente, pois utilizando da padronização de métodos, tudo se tornara mais descomplicado e seguro. Portanto, nota-se que o tipo de navegação não mudou da antiguidade até os dias de hoje, pois o importante é saber onde se está e para onde se deve ir,que é o princípio da navegação, em todos seus tipos.

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Mapa do Século XVI
Sextante do Século XVI

Tipos de Navegação

No decorrer dos anos, a evolução da navegação levou-a a ter diversas ramificações, e com a chegada da aeronáutica e sua rápida introdução, foi necessário adequar o modo de navegar, assim como eram feitos nasembarcações marítimas em geral. Muito do que foi e ainda é utilizado na navegação aérea provém da navegação marítima. A distância medida em milhas náuticas (1NM=1.852m), a velocidade medida em Nós, que são Milhas Náuticas por hora (1kt = 1, 852 km/h), assim como cartas de navegação, mapas, tipos de projeções, etc., é uma herança da Navegação Marítima. Vejamos agora as principais técnicas de navegação utilizadas na aviação, tanto na Civil quanto na Militar.

Navegação Visual ou por contato

A navegação visual ou por contato é definida como aquela em que há a utilização de referências visuais com o terreno. Tais referências podem ser estradas, rios, pontes, linhas férreas, vilarejos, lagos, linha de transmissão de energia elétrica, ou qualquer elemento que sirva de destaque e que possa ser observado de uma aeronave. Esse tipo de navegação é utilizada pelo iniciantes na aviação, não sendo necessária a utilização de instrumentos de bordo.

Navegação Estimada

Na navegação estimada a aeronave é conduzida com a utilização de três instrumentos básicos a bordo: a bússola, o velocímetro de aeronave e um relógio, sendo consideradas a distância e a direção do voo, a partir de um ponto de referência já conhecido. Com a velocidade, proa e a distância sob o conhecimento do piloto, pode determinar o tempo de voo, estimados de posições, correções de proa, utilizando-se muitas vezes de uma simples regra de três. Este tipo de navegação é o mais utilizado entre os pilotos iniciantes e até mesmo pelos mais experientes, devido a sua simplicidade e confiabilidade.

Como exemplo, hoje em dia são utilizadas em diversas áreas terminais (TMAs)  as chamadas REAs (Rotas Especiais de Aeronaves em voo visual), que consistem em rotas predeterminadas, plotadas em uma WAC (Carta Aeronáutica padrão para voos visuais), as quais demonstram pontos específicos, corredores em que se navega por referências visuais, proas e pontos a serem cumpridos pelas aeronaves, tudo isso baseados elam dessas referências, nas altitudes mínimas e máximas e principalmente nas Regras de Voo Visual – Visual Flight Rules (VFR).

Carta Visual da região de Belo Horizonte – MG. Observe as Rotas Especiais de Aeronaves em preto (corredores visuais).

Navegação Rádio ou Rádio Navegação

Embora os primeiros auxílios a rádio navegação serem datado da década de 1920, com uma baixa precisão quando em mau tempo ou com descargas elétricas, foi a partir da Segunda Guerra Mundial que os faróis balizadores, instrumentos giroscópios, dentre outros instrumentos que passaram a operacionalizar o chamado voo cego. Esse tipo de voo foi de extrema importância das missões noturnas, pois os ataques noturnos eram um diferencial na estratégia militar, tanto dos aliados quanto dos alemães. Os aliados se baseavam em alternar ataques diurnos pelos aviões americanos e noturnos pelos aviões ingleses.

Em missões militares, as aeronaves precisavam deslocar-se por grandes distâncias e com bastante precisão, pois um erro de cálculo e de rota poderia ser fatal. Começaram então a utilizar-se de estações terrestres que emitiam ondas de rádio e, por meio de instrumentos de bordo, poderiam localizar tais estações, aumentando assim à segurança do voo, a precisão dos ataques, a economia de combustível e uma maior confiabilidade e tranquilidade pelos pilotos envolvidos.

Na década 1930 os auxílios rádio consistiam apenas de um transmissor de um impulso sonoro em código Morse das letras A (. -) e N (- .) recebido pela aeronave que sintonizava a frequência correta da estação, e que possibilitava somente a navegação quatro rumos a partir da estação, não existindo ainda a navegação em um azimute completo de 360 graus a partir desta estação. As aeronaves deviam tomar uma das quatro direções possíveis a partir da estação, por tal razão ficou conhecido como Four Course Radio Beacon ou Rádio-Farol de Quatro Cursos.

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Carta de aproximação via rádio do Aeroporto Santos Dumont, 1941

Este sistema pioneiro é considerado o antecessor aos rádio-faróis não direcionais ainda utilizados até hoje conhecidos como NDB ou Non Directional Beacon. A evolução da comunicação via rádio também servia como meio de se navegar, com o auxilio dos arcaicos radares da época.

Painel primitivo com instrumentos de navegação por rádio

Com o passar dos anos a Radio navegação foi se evoluindo cada vez mais, desde a inclusão dos VOR (VHF OmniDirectional Range), mas precisos e confiáveis, os sistemas inerciais, os sistemas ILS (Instrument Landing System), que permite as aeronaves pousarem sob as mais adversas condições visuais, a até nos dias atuais, com os cada vez mais modernos sistemas de navegação via satélite, que vem se tornando o principal meio de navegação.

O futuro na navegação é ainda incerto. Porém, percebe-se que a necessidade do homem de se locomover, de saber onde está, e sua incansável busca por conhecimento, torna a navegação um instrumento indispensável, e sua evolução torna-se cada dia mais presente no cotidiano, desde o uso de aplicativos como o Waze, desde os mais modernos sistemas de navegação utilizados numa nave da SpaceX, por exemplo.

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